A Drunk Elephant já foi símbolo de inovação no skincare. Com embalagens vibrantes, marketing direto e fórmulas “clean clinical”, a marca conquistou um público fiel — e jovem. Nos últimos anos, ganhou destaque entre adolescentes nas redes sociais, impulsionada por trends como o #SephoraKids e vídeos virais de rotinas exageradas.
Mas o que acontece quando o hype começa a distorcer a proposta de uma marca?
Um novo ciclo: menos buzz, mais intenção
A campanha global “Please Enjoy Responsibly” inaugura uma nova fase. Com um tom mais maduro, a Drunk Elephant sinaliza um reposicionamento claro: sair do centro do hype teen e reconectar-se com o público original — adultos que buscam cuidados eficazes, informados e equilibrados.

A mudança é visível. Os feeds sociais da marca estão mais limpos. As campanhas priorizam modelos adultos. A comunicação agora fala de forma mais direta sobre uso consciente de ativos potentes, como ácidos, retinóides e peelings químicos.
Reposicionamento estratégico — não só visual
Esse novo capítulo vai além da estética. É uma mudança de direcionamento estratégico em três pilares:
- Foco em adultos: A marca se posiciona agora para maiores de 21 anos, com conteúdo e linguagem alinhados a esse público. Os tempos de “teen skincare” ficaram para trás.
- Educação como diferencial: A comunicação volta a explicar como e quando usar os produtos, incentivando rotinas equilibradas e práticas como o skin cycling.
- Performance com propósito: A promessa da Drunk Elephant segue firme: produtos limpos, mas clinicamente eficazes, respaldados por ciência e com resultados reais.
Por que essa mudança era urgente?
O apelo com o público adolescente gerou efeitos colaterais. Produtos com ativos fortes começaram a ser usados por peles que ainda não tinham indicação — causando irritações e danos à barreira cutânea. Especialistas e publicações como The Dermatology Digest e Cosmetics Business acenderam o alerta.
Além disso, o excesso de atenção entre o público teen afastou a base original: os millennials exigentes que buscavam mais eficácia do que popularidade no TikTok. A Drunk Elephant, então, escolheu o caminho do reencontro com sua essência.
Quando o algoritmo atropela o posicionamento
O caso é um lembrete valioso para todo o mercado de beleza: visibilidade não é sinônimo de valor. Nem toda viralização constrói reputação — e, muitas vezes, o alcance descontrolado pode desalinhar a audiência da proposta da marca.
No caso da Drunk Elephant, o algoritmo fez a marca viralizar entre um público não-intencional — mas a consequência foi a diluição de autoridade e uma crise de identidade. O reposicionamento é a tentativa de retomar controle da narrativa.
O que continuaremos a observar a partir de agora:
- Como a base adulta vai reagir a essa nova fase
- Se a educação de skincare vira, de fato, parte central da estratégia
- O impacto no mercado clean beauty — será tendência?
- A reconquista de um consumidor mais consciente como ativo de marca

