Você provavelmente já viu isso no TikTok: um vídeo de alguém aplicando óleo no couro cabeludo, massageando, prendendo o cabelo em um coque e chamando isso de “ritual”. O nome? Hair Oiling. A prática? Antiga. O efeito? Cultural.
De repente, óleos capilares deixaram de ser só um produto de hidratação para virar símbolo de autocuidado. O mercado, que valia US$ 6 bilhões em 2025, deve chegar a US$ 10 bilhões até 2035. Mas a transformação aqui não é só de volume. É de percepção.
O boom começou com marcas como Hair Syrup, que viralizou no TikTok com uma história autêntica, 100% natural, feita no Reino Unido e vendida por £15.95. Hoje, está nas prateleiras da Boots, ASOS e LookFantastic. Outras seguiram o mesmo caminho: Gisou, ByErim, Ouai. E enquanto isso, nomes tradicionais como Moroccanoil perderam força.

Por quê?
Porque o TikTok mudou as regras. Transformou o produto em narrativa. O cuidado capilar virou experiência sensorial, conteúdo compartilhável, prova social. Óleo virou pré-lavagem, não mais finalizador. E mais do que tudo: virou ritual com contexto.
O couro cabeludo passou a ser tratado como extensão da pele. O objetivo agora não é só consertar cabelo danificado, é cuidar do microbioma, regular hormônios, estabilizar o humor. Wellness chegou ao fio.

Influenciadoras como Huda Kattan e Alia Bhatt compartilharam suas rotinas com óleos como batana, sage, camellia e amla. Hashtags como #HairOiling e #ScalpCare explodiram. A estética do “glass hair” voltou com tudo, mas agora sem calor, com nutrição profunda.
No meio disso tudo, Moroccanoil ficou parada. Forte nos salões, mas sem presença digital. Produto ótimo, mas sem história. Textura rica demais para o gosto da “clean girl”. E sem agilidade para reagir à linguagem da nova consumidora.
Hoje, quem lidera são marcas que conseguiram unir fórmula, sensorialidade e storytelling. Hair Syrup entrega textura leve, aromas únicos e rótulo fofo. Gisou investe no luxo com fragrância marcante de mel. Ouai aposta no lifestyle urbano e sofisticado. Todas têm algo a dizer, e uma comunidade que amplifica isso organicamente.
O que antes dependia de salões e vitrines, agora cresce em vídeos, comentários e DMs.
Para o futuro, quatro tendências já se destacam:
- Ingredientes avançados como peptídeos e blends personalizados
- Personalização com IA (como o Custom Care Oil da Perfect Diary)
- Modernização do Ayurveda com ativos como bhringraj e fenugreek
- Sustentabilidade como regra, não diferencial
O que tudo isso mostra é que o jogo virou. Hoje, o diferencial não é só o óleo que você vende, é o que sua marca faz ele representar.
Porque, no fim das contas, se você não tem uma história para contar, você é só mais um óleo no feed.



